segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Artigo sobre história medieval: "cultura" em foco


CULTURA E PENSAMENTO MEDIEVAL: LEGADO PARA A CONTEMPORANEIDADE[1]

Glauceane Magalhães do ó
glauceanne.magalhaes@hotmail.com

RESUMO:
O presente trabalho pretende analisar quais os aspectos e características principais da cultura medieval. Este estudo baseia-se em três pilares de sustentação: questionar sobre a visão errônea que é submetida a  Idade Média como sendo a  “Idade das Trevas”( uma visão preconceituosa de desprezo indisfarçado), reconhecer a visível pluralidade cultural fruto de séculos de encontros de culturas distintas e as contribuições que essas culturas aglomeradas puderam gerar para a atualidade.[2] É importante citar alguns fatores de relevância como o advento das Cruzadas, por exemplo, em que  houve um importante intercâmbio entre diversos povos provocando a assimilação de elementos culturais que marcaram a Europa. A influência da Igreja que subordinava a cultura às leis de Deus sendo este processo conhecido como teocentrismo cultural. A metodologia aqui utilizada será a comparação das obras dos diversos autores que foram propostos e estudados na disciplina de História Medieval, podemos citar Hilário Franco Jr, em “O Império Bizantino”, eO Feudalismo”, Sonia Regina de Mendonça com “O Mundo Carolíngio” dentre outros. Desta forma farei um passeio pelos diversos livros e capítulos em confronto com pesquisas paralelas de outras fontes em busca das abordagens a cerca da cultura na Idade Média suas mudanças e permanências ao longo dos séculos.
PALAVRAS-CHAVE: Cultura, Idade Média, pluralidade cultural.

INTRODUÇÃO
Podemos entender atualmente a cultura como tudo aquilo que o homem encontra fora da natureza ao nascer ( FRANCO JR. H), tudo aquilo que foi criado pelos homens para se relacionar com os outros homens. Na Idade Média a cultura era entendida como uma criação e divulgação intelectual realizada pelos “grandes homens” excluindo o lugar histórico que eles estavam inseridos. Neste contexto está o papel da Igreja Católica, que sendo a maior e mais organizada instituição da época, influenciou profundamente a vida cultural durante a Idade Média. Destaca-se deste aspecto o chamado teocentrismo, ou seja, a visão medieval que tinha em Deus o centro de suas preocupações.
A partir do século X a Europa Ocidental passou por profundas transformações econômicas, sociais e culturais, a sociedade que se desenvolveu na Idade Média era fruto de uma “encruzilhada de influências culturais e religiosas” sendo que a cultura medieval foi uma síntese de elementos greco-romanos, cristãos e germânicos, que foram reformulados em termos de novas experiências. É muito comum  a reprodução da Idade Média como a “Idade das Trevas”, retrata-se este período como sendo obscuro,  ao que na verdade trata-se de um período de profunda produção cultural, uma época de diálogos entre diferentes civilizações.
 As Cruzadas empreendidas entre os séculos XI e XIII tiveram papel fundamental nesta fusão de culturas, as expedições organizadas pela Igreja acabavam por atingir involuntariamente a cultura e a economia medieval. Outro fator que contribui para essa diversidade é o comércio, o contato entre as diversas cidades para a compra e venda de mercadorias, como é o caso de Constantinopla que durante o Império Bizantino foi o maior centro urbano da Europa Medieval[3] e exemplo de marco cultural tanto no Oriente como no Ocidente durante praticamente quase todo o período medieval, por conta de seu estilo artístico diferenciado.  
Houve um renascimento cultural e urbano com o surgimento de novas preocupações intelectuais, com esses novos pensamentos surgiram novas reflexões, como Santo Anselmo que refletiu essa nova época em seus escritos, que manifestavam a confiança na lógica, ou Abelardo que primeiramente vulgarizou o emprego da palavra "teologia". Também ficam em destaque Santo Tomás de Aquino que em sua maior obra, a Suma Teológica, que ficou inacabada, procurava reconciliar os escritos de Aristóteles com os princípios da teologia.
Dessa forma o papel eclesiástico relevante da Igreja como detentora da transmissão dos saberes antigos – sendo o clero até o século XII o grupo monopolizador da escrita -  influenciou decisivamente no conhecimento que temos hoje sobre a cultura e os outros segmentos da Idade Média. No que se trata da variedade de contribuições para a cultura medieval vale destacar ( FRANCO JR, H. 1985. pág.77):
Guardadas as devidas proporções e temporalidades, de repente nos víamos diante de uma civilização britânica em sua tradição e seu conservadorismo; polonesa em sua fé; grega em suas especulações e ironia; italiana em sua sensibilidade e emotividade; espanhola em seus excessos; corsa em sua suscetibilidade...!

            O autor explicita neste trecho as marcas de diversas civilizações entendendo que a tentativa de rotular a cultura medieval como homogenia se torna frustrada diante de tantas contribuições externas. Para entender estas variações culturais veremos os segmentos e evoluções que foram modificando a cultura e os costumes da Idade Média.  
  
I- INFLUÊNCIAS DA IGREJA
Os aspectos culturais como citado anteriormente foram sendo basicamente controladas pela Igreja, no livro “O Mundo Carolíngio” de Sônia Regina de Mendonça ressalta este fator citando  neste volume o que seria segundo ela “a maior contribuição da Igreja para a Idade Média: a vulgarização da cultura clássica, fruto da missão de bispos e padres em cristianizar o Ocidente.”
Percebe-se a constante ligação entre a fé e a razão, a Antigüidade Clássica e o cristianismo, a violência e a compaixão, entre a divindade e o homem; o sagrado e o profano. Neste mesmo livro citado anteriormente destaca-se o papel da Igreja como disseminadora de uma cultura bíblica produtora de um conhecimento que os fazia superiores garantindo que o clero tivesse uma função pedagógica e cultural. A famosa frase de Bernardo de Chartre, século XII, ressalta: “somos anões em ombros de gigantes. Desse modo, vemos melhor e mais longe que eles, não por que nossa vista seja mais aguda ou nossa estatura maior, mas por que eles nos erguem a sua gigantesca altura.” Refere-se este pensamento ao sentido eclesiástico dado a cultura sendo que o saber letrado dos eclesiásticos os elevava diante da sociedade.
A Igreja controlava a educação por meio do clero católico, no século IX algumas escolas foram criadas junto as catedrais, fato que propiciaria a mais tarde serem criadas as Universidades, as aulas eram totalmente controladas pela Igreja, ministradas em latim e algumas das matérias estudadas eram: teologia, ciências, letras, direito, medicina etc.  Algumas destas faculdades conhecidas até hoje podemos citar: Oxford e Cambrigde. Pode-se citar o período carolíngio como sendo a “idade de ouro” na educação, não havia um sistema de ensino formado, mas os intelectuais religiosos da época promoviam suas reuniões e discussões.[4]
A literatura demonstrava a preocupação extrema em expressar a religião. A poesia tida como profana pelos eclesiásticos tornou-se monopólio da Igreja, era dividida em poesia épica e lírica, a primeira procurava mostrar as ações corajosas dos cavaleiros, já a segunda referia-se ao amor cortês, aos sentimentos.
Se tratando de arquitetura temos uma vasta contribuição, os estilos que predominaram e chamaram atenção foram o gótico e o românico. A exemplo da exuberante arquitetura temos o Império Bizantino, que Hilário Franco Jr. e Rui de Oliveira descrevem em seu livro (O Império Bizantino) como referência a Igreja de Santa Sofia que representa a maior glória da arquitetura bizantina. O estilo gótico nas construções tinham traços verticais e leveza, janelas com vitrais coloridos para uma boa iluminação. Já o estilo românico, com traços simples e austeros, era em sua maioria construído com tetos e arcos em abóbada e grossos pilares.
A maioria destes modos e estilos de  construção era aplicada as catedrais, a arquitetura religiosa pode ser considerada, sem dúvida, a mais expressiva das manifestações artísticas do período. A arquitetura voltava-se essencialmente para a construção de templos, igrejas, mosteiros e palácios; a pintura e a escultura eram usadas para complementar a beleza das construções.
A mais significativa manifestação cultural da Idade Média pode ser considerada o cristianismo, que segundo Hilário Franco Jr.
“Sendo uma religião, religio, sua função era, segundo a etimologia que vinha da Antiguidade de re-legere, “reunir”, ou re-ligare, nas duas hipótes tendo, portanto, o sentido de reaproximar as instâncias divinas e humanas. ”[5]

A religião não somente tinha esse caráter de aproximação entre divino e humano, como ainda era responsável pelo poder sobre os livros considerados sagrados ao mesmo tempo que era a única capaz de propagar a interpretação destes. Desta forma a religião controlava absolutamente a cultura como afirma MENDONÇA (1985)

“Por meio da disseminação de uma cultura profundamente bíblica, porém uniforme, pretendia-se criar um verniz de conhecimentos gerais que penetrasse em todas as áreas do império, principalmente as recém-incorporadas e as menos romanizadas.” [6]

O papel do clero ganhava cada vez mais autoridade, além de “zeladores da ordem cristã” – como se refere a autora citada anteriormente -  eram também responsáveis pela difusão da cultura e do ensino. As cruzadas empreendidas por interesses religiosos deixaram seu legado para a cultura medieval enquanto tentavam expandir seus territórios e a supremacia da Igreja Católica. No livro “Cruzado na Idade Média” a autora Fátima Regina Fernandes ressalta o contexto das cruzadas para a História, segundo ela as Cruzadas compreendem “dois séculos de convivência e produção de uma base cultural comum que deixaria suas marcas (...)” A autora ainda destaca a difusão de novas culturas que interligadas geraram contribuições para a contemporaneidade:

A própria convivência de culturas distintas nesses locais geraria elementos comuns novos, com reflexos constatáveis até hoje na arquitetura, literatura e em toda e qualquer manifestação científica,
cultural e artística ocidental.”


O movimento das Cruzadas deixou suas marcas, inclusive no que diz respeito ao legado cultural, pois através do contato com outros povos foi se adquirindo novos costumes. Podemos dizer que enquanto o Ocidente conquistava outros povos também era conquistado por eles através da apreensão de outras culturas diversas e alheias a suas tradições.

II- OS SEGMENTOS DA CULTURA

Podemos dividir a cultura medieval em dois segmentos: a cultura erudita (transmitida pela elite) e a cultura vulgar (relacionada a população). A primeira também conhecida como cultura clerical seria conscientemente elaborada, produzida nos mosteiros por motivos religiosos e para difundir os mais diversos assuntos também religiosos. Era difundida formalmente nas escolas monásticas e universidades. Segundo (FRANCO JR. ,1986, pág.139) temos os seguinte:

“A melhor definição desta cultura é clerical, por esta palavra abarcar o sentido de eclesiástica (grupo que monopolizou a cultura escrita até o século XII) e ao mesmo tempo de letrada (novo significado até o desde fins do século XIII, com o crescimento do segmento laico alfabetizado).”


Neste trecho o autor se refere a cultura erudita de letramento dos religiosos enquanto detentores da escrita até o séc. XII. Em âmbito oposto situa-se a cultura vulgar ou folclórica, caracterizada pela espontaneidade, de cunho oral transmitida informalmente por  meio de idiomas e dialetos vernáculos.[7] Os leigos pressionavam a Igreja católica para que fossem reconhecidas clericalmente algumas simbologias populares, como exemplo o culto aos mortos para que este fosse incluído no calendário litúrgico próximo a festa de Todos os Santos, sabemos que esta cultura foi perpetuada e temos este costume do dia de finados até os dias atuais.[8]  Outra manifestação leiga, era a maior participação do público durante a missa em que o sacerdote virava as costas para o povo, este costume foi modificado e durante a elevação da hóstia o sacerdote posiciona-se de frente aos fiéis.  
            Dentro desses segmentos culturais há características peculiares de acordo com o período medieval a que se refere. Dividem-se estes momentos históricos em: Alta Idade Média, Idade Média Central e Baixa Idade Média. Na Alta Idade Média ocorre o privilégio exclusivo da Igreja sobre a cultura intelectual. Havia uma rejeição expressa a cultura folclórica (ou vulgar) o que o autor denomina um “alargamento do fosso entre a elite culta e a massa inculta” (FRANCO JR. H.). As manifestações da cultura vulgar foram de todo modo contidas pela hierarquia religiosa, refere-se a essa questão o Império Carolíngio e sua imposição de autonomia católica, é o que percebemos no trecho (MENDONÇA, 1985, pág. 82): 

“(...) Sua essência repousou na imposição do ideal romano da disciplina e da organização sobre o indivíduo germânico. Tal como acontecia as estruturas leigas, daí resultou a construção de severa hierarquia religiosa, concebida como a garantia da realização da missão real de zelar pela ordem, com um pessoal administrativo competente e idôneo.”


Tomando o Império Carolíngio como referência podemos entender, através da citação, a influência da Igreja ditando o modelo de disciplina e organização que deve ser seguido ao mesmo tempo em que contrariava os arcabouços leigos.
            Tratando-se da Idade Média Central compreendem-se profundas transformações políticas, econômicas e sociais a partir do século XI, a cultura essencialmente clerical passou a admitir a forte presença da cultura vulgar. Antes, na Alta Idade Média, “ocorrera a clericalização de muitos elementos folclóricos, agora se dava a folclorização de elementos cristãos” (FRANCO JR, 1986, pág.149). Neste período chama atenção o Renascimento Carolíngio, fato marcante para a cultura medieval por conta da uniformização dos textos bíblicos, feito pelo inglês Alcuíno (735- 804) a bíblia passou a ser o livro mais usado no Ocidente e recebeu o nome – a partir do século III – de Vulgata.
Durante a Baixa Idade Média ocorre o desequilíbrio estabelecido anteriormente entre as culturas vulgar e clerical passando a ocorrer profundas transformações culturais. A cultura clerical não tinha o mesmo vigor das épocas anteriores e a cultura popular encontrava-se mais fragilizada. As mudanças[9] que aconteceram nesta época estabeleceram o embrião da cultura renascentista (séculos XV e XVI).

III- CULTURA E HERANÇA MEDIEVAL

Através das fontes utilizadas[10] percebe-se as contribuições da cultura medieval para a atualidade. Mesmo nas sociedades que não apresentaram “período medieval” como é o caso da nossa, as influências estão inseridas em nosso cotidiano sem que tenhamos consciência disso. De início verificamos a nacionalidade brasileira como herança medieval, o nome atribuído ao nosso país advindo dos séculos XIV-XV e o nosso próprio idioma, adquirido dos colonizadores e nascido na Idade Média.
Na política também verificamos contribuições no que diz respeito “a duplicidade de um poder central teoricamente forte e a realidade dos poderes locais atuantes permanece (FRANCO JR. 1986, pág.168).” Até mesmo o sistema de capitanias aqui implantado teve o mesmo funcionamento da Idade Média nos séculos XVI-XVII.
A questão lingüística também tem suas raízes medievais já que quase todas as línguas formaram-se na Idade Média. O conjunto diversificado que resultou em nossa sociedade (índios, portugueses, negros) influenciaram no falar brasileiro, a própria elite no Brasil colônia era obrigada a falar e escrever de maneira diversa, utilizando tanto o modelo português como os dialetos resultantes de negros e índios. Esta situação lingüística tem forte semelhança com o contexto medieval em que os idiomas vulgares foram inseridos as línguas vernáculas. 
A nossa economia com base na exploração da terra é parte deste legado, como afirma (FRANCO JR, 1998, pág.6):

“A economia brasileira essencialmente agrária até meados do século XX, também denuncia o passado medieval transplantado pelos portugueses e prolongado pelo sistema colonial do Antigo Regime e depois pelo neocolonialismo da Revolução Industrial.”


Existem, neste contexto, traços medievais em nossa própria cultura regional, o que o autor cita como “coronelismo nordestino” ao se referir ao poder conferido aos coronéis e na distribuição de “favores”; cada donativo concedido era em troca da fidelidade daquele que recebesse, assim como a relação estabelecida na época medieval entre “senior” e “vassalus”. Esta relação de coronelismo e vassalagem (correspondendo a Idade Média) ainda sobrevive em nossa sociedade, existem muitos “apadrinhamentos” políticos e econômicos que se assemelham a estes sistemas.
A religião brasileira sempre teve em sua maioria adeptos do cristianismo, assim como na Idade Média a religião ditava as regras cotidianas dos indivíduos no Brasil desde sua época colonial, considera-se práticas de socialização: o batismo, o casamento, o sepultamento; estes ritos ultrapassam a dimensão religiosa e entram na vida social das pessoas passando a se estabelecer uma cultura religiosa.
Até no próprio gesto de estender a mão há um legado medieval, como cita (FRANCO JR, 1986, pág. 224):

“(...) gesto tão mecânico, tão automático, que poucos percebem estar repetindo o gesto de paz social da época feudal, quando ele demonstrava ao interlocutor a ausência de armas e assim a boa vontade no estabelecimento de uma relação sociável.”


Há também a contribuição intelectual que dispomos da Idade Média, as Universidades que se originaram no século XII, bem como o modelo de aulas expositivas e discussão de textos, a tese submetida a uma banca examinadora, a estrutura de administração das faculdades, os programas de bolsas de assistência. Vale destacar que foi dessa época que surgiu o livro como conhecemos hoje, já que na Antiguidade eram usados pergaminhos muito mais difíceis de manejar e de localizar conteúdos.
Dentro das contribuições materiais dos medievos para a contemporaneidade pode-se exemplificar: o uso da calça comprida, ferradura, colher, camisa com botão, óculos, ferro, carrinho de mão, luneta, relógio mecânico, espelho de vidro, álcool, moinho de vento, atrelagem animal em fila entre outros.
O próprio pensamento materialista de justificar a busca por riquezas na religião está presente em nossa sociedade até os dias atuais, tanto as Cruzadas durante a Idade Média como a conquista da América tiveram caráter de guerra santa e de obtenção de riquezas.

IV- CONSIDERAÇÕES FINAIS
O pensamento medieval e as criações daquela sociedade merecem cada vez mais estudos aprofundados no assunto. A produção cultural e material é muito diversificada e ao mesmo tempo rica em particularidades que foram sendo inseridas em todas as sociedades ao longo do tempo. Dessa forma devemos como futuros docentes, difundir cada vez mais a idéia de Idade Média como momento histórico de profundas transformações e heranças culturais. Mostrar não somente o que ocorreu de desagradável, mas fazer com que as pessoas arranquem este rótulo de Idade Média como período obscuro.
FRANCO JR. (1998)  destaca:
“Em suma, percebamos ou não, a Idade Média foi nossa infância e adolescência, fases de fragilidade, inconstância e hesitações, mas também de crescimento, aprendizagem, experiências, consolidação (...). Mesmo não tendo tido Idade Média no sentido cronológico concebido pela historiografia, o Brasil é indiretamente produto dela.”

O autor destaca o fato de nossa sociedade ter “raízes medievais” parte constituinte de nosso passado e presente. Ninguém pode fugir de suas origens, nem estudar um passado imediato, temos consciência de que para conhecer um povo devemos buscar seus momentos iniciais, ou como o autor denomina, sua gestação. O Brasil não passou por uma Idade Média, mas herdou muitas de suas características e ao mesmo tempo descende dela.   


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


FERNANDES, Fátima Regina: Cruzadas na Idade Média. In.: MAGNOLI, Demétrio (ORG.) História das Guerras. 4 ed. São Paulo: Contexto, 2009

FRANCO JR. [Estruturas culturais da Idade Média – Resumo] Disponível em <http://www.historiaemperspectiva.com/2011/10estruturas-culturais-da-idade-media.html> Acessado em: 14 jun.2012.

FRANCO JR. Hilário. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 1986.

FRANCO JR; FILHO, Rui de Oliveira: O Império Bizantino. São Paulo: Brasiliense, 1985.

FRANCO JR. Hilário. Páginas de História: Raízes medievais do Brasil. Departamento de História USP, 1998.

MENDONÇA, Sonia Regina de. O Mundo Carolíngio. São Paulo: Brasiliense, 1985.





[1] Artigo originado da pesquisa realizada para a disciplina de História Medieval do curso de História/Licenciatura Plena, ministrada pela Profa. M.s Iza Régis da Faculdade de Educação Ciências e Letras do Sertão Central – FECLESC/UECE.
[2] Confesso que acrescento a isto a minha curiosidade sobre o assunto.
[3]“Todos que para ela fluíam espantavam-se com sua grandiosidade e riqueza.” (FRANCO Jr., 1985, p.49).
[4] “O período carolíngio é também considerado como a idade do ouro das escolas e dos educadores. Teve início uma rede escolar, tão hierarquizada quanto a própria Igreja.” (MENDONÇA, Sonia Regina de. O Mundo Carolíngio, pág.84,)
[5] FRANCO JR. Hilário. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 1986. Pág. 140.
[6] MENDONÇA, Sonia Regina de. O Mundo Carolíngio. São Paulo: Brasiliense. Pág. 82.
[7] Nesse campo de línguas vernáculas destaca-se o latim que era falado tanto de maneira clássica nas situações formais, como popularmente. Por conta do desaparecimento do Império e da degradação da cultura erudita, o latim modificou-se de tal forma a ponto de deixar de ser falado, surgindo novos idiomas no século VIII chamados de românicos. A partir daí o latim passou a ser falado somente entre os eclesiásticos, desconsiderado como língua materna.
[8] Destaca-se aqui uma cultura instituída na Idade Média que permanece ainda em nosso calendário.
[9]  A arquitetura rompia com o equilíbrio e harmonia das formas, a escultura apresentava um forte ornamentalismo, a escultura manteve-se próxima as esculturas populares, na literatura despertava-se o artificialismo, na filosofia houve uma quebra com diversas correntes. “Antecipava-se Lutero, Maquiavel e Hobbes. Caminhava-se para a Modernidade.” (FRANCO JR. 1986, Pág.167)
[10] Principalmente por meio do livro de Hilário Franco Jr “A Idade Média: nascimento o Ocidente