CULTURA
E PENSAMENTO MEDIEVAL: LEGADO PARA A CONTEMPORANEIDADE[1]
Glauceane
Magalhães do ó
glauceanne.magalhaes@hotmail.com
RESUMO:
O presente
trabalho pretende analisar quais os aspectos e características principais da
cultura medieval. Este estudo baseia-se em três pilares de sustentação:
questionar sobre a visão errônea que é submetida a Idade Média como sendo a “Idade das Trevas”( uma visão preconceituosa
de desprezo indisfarçado), reconhecer a visível pluralidade cultural fruto de
séculos de encontros de culturas distintas e as contribuições que essas
culturas aglomeradas puderam gerar para a atualidade.[2] É
importante citar alguns fatores de relevância como o advento das Cruzadas, por
exemplo, em que houve um importante
intercâmbio entre diversos povos provocando a assimilação de elementos
culturais que marcaram a Europa. A influência da Igreja que subordinava a
cultura às leis de Deus sendo este processo conhecido como teocentrismo
cultural. A metodologia aqui utilizada será a comparação das obras dos diversos
autores que foram propostos e estudados na disciplina de História Medieval,
podemos citar Hilário Franco Jr, em “O
Império Bizantino”, e “O Feudalismo”,
Sonia Regina de Mendonça com “O Mundo Carolíngio”
dentre outros. Desta forma farei um passeio pelos diversos livros e capítulos em
confronto com pesquisas paralelas de outras fontes em busca das abordagens a cerca
da cultura na Idade Média suas mudanças e permanências ao longo dos séculos.
PALAVRAS-CHAVE: Cultura,
Idade Média, pluralidade cultural.
INTRODUÇÃO
Podemos entender atualmente a cultura como tudo
aquilo que o homem encontra fora da natureza ao nascer ( FRANCO JR. H), tudo
aquilo que foi criado pelos homens para se relacionar com os outros homens. Na
Idade Média a cultura era entendida como uma criação e divulgação intelectual
realizada pelos “grandes homens” excluindo o lugar histórico que eles estavam
inseridos. Neste contexto está o papel da Igreja Católica, que sendo a maior e mais
organizada instituição da época, influenciou profundamente a vida cultural
durante a Idade Média. Destaca-se deste aspecto o chamado teocentrismo, ou
seja, a visão medieval que tinha em Deus o centro de suas preocupações.
A partir do século X a Europa Ocidental passou por
profundas transformações econômicas, sociais e culturais, a sociedade que se
desenvolveu na Idade Média era fruto de uma “encruzilhada de influências
culturais e religiosas” sendo que a cultura medieval foi uma síntese de
elementos greco-romanos, cristãos e germânicos, que foram reformulados em
termos de novas experiências. É muito comum
a reprodução da Idade Média como a “Idade das Trevas”, retrata-se este
período como sendo obscuro, ao que na
verdade trata-se de um período de profunda produção cultural, uma época de
diálogos entre diferentes civilizações.
As Cruzadas empreendidas entre os séculos XI e
XIII tiveram papel fundamental nesta fusão de culturas, as expedições
organizadas pela Igreja acabavam por atingir involuntariamente a cultura e a
economia medieval. Outro fator que contribui para essa diversidade é o
comércio, o contato entre as diversas cidades para a compra e venda de
mercadorias, como é o caso de Constantinopla que durante o Império Bizantino
foi o maior centro urbano da Europa Medieval[3] e
exemplo de marco cultural tanto no Oriente como no Ocidente durante
praticamente quase todo o período medieval, por conta de seu estilo artístico
diferenciado.
Houve
um renascimento cultural e urbano com o surgimento de novas preocupações
intelectuais, com esses novos pensamentos surgiram novas reflexões, como Santo
Anselmo que refletiu essa nova época em seus escritos, que manifestavam a
confiança na lógica, ou Abelardo que primeiramente vulgarizou o emprego da
palavra "teologia". Também ficam em destaque Santo Tomás de Aquino
que em sua maior obra, a Suma Teológica, que ficou inacabada, procurava
reconciliar os escritos de Aristóteles com os princípios da teologia.
Dessa
forma o papel eclesiástico relevante da Igreja como detentora da transmissão
dos saberes antigos – sendo o clero até o século XII o grupo monopolizador da
escrita - influenciou decisivamente no
conhecimento que temos hoje sobre a cultura e os outros segmentos da Idade
Média. No que se trata da variedade de contribuições para a cultura medieval
vale destacar ( FRANCO JR, H. 1985. pág.77):
Guardadas as
devidas proporções e temporalidades, de repente nos víamos diante de uma
civilização britânica em sua tradição e seu conservadorismo; polonesa em sua
fé; grega em suas especulações e ironia; italiana em sua sensibilidade e
emotividade; espanhola em seus excessos; corsa em sua suscetibilidade...!
O autor explicita neste trecho as
marcas de diversas civilizações entendendo que a tentativa de rotular a cultura
medieval como homogenia se torna frustrada diante de tantas contribuições
externas. Para entender estas variações culturais veremos os segmentos e
evoluções que foram modificando a cultura e os costumes da Idade Média.
I- INFLUÊNCIAS DA IGREJA
Os
aspectos culturais como citado anteriormente foram sendo basicamente
controladas pela Igreja, no livro “O
Mundo Carolíngio” de Sônia Regina de Mendonça ressalta este fator
citando neste volume o que seria segundo
ela “a maior contribuição da Igreja para a Idade Média: a vulgarização da
cultura clássica, fruto da missão de bispos e padres em cristianizar o
Ocidente.”
Percebe-se
a constante ligação entre a fé e a razão, a Antigüidade Clássica e o cristianismo, a violência e a compaixão, entre a divindade e o
homem;
o sagrado e o profano. Neste mesmo livro citado anteriormente destaca-se o
papel da Igreja como disseminadora de uma cultura bíblica produtora de um
conhecimento que os fazia superiores garantindo que o clero tivesse uma função
pedagógica e cultural. A famosa frase de Bernardo de Chartre, século XII,
ressalta: “somos anões em ombros de gigantes. Desse modo, vemos melhor e mais
longe que eles, não por que nossa vista seja mais aguda ou nossa estatura
maior, mas por que eles nos erguem a sua gigantesca altura.” Refere-se este
pensamento ao sentido eclesiástico dado a cultura sendo que o saber letrado dos
eclesiásticos os elevava diante da sociedade.
A
Igreja controlava a educação por meio do clero católico, no século IX algumas
escolas foram criadas junto as catedrais, fato que propiciaria a mais tarde
serem criadas as Universidades, as aulas eram totalmente controladas pela
Igreja, ministradas em latim e algumas das matérias estudadas eram: teologia,
ciências, letras, direito, medicina etc.
Algumas destas faculdades conhecidas até hoje podemos citar: Oxford e
Cambrigde. Pode-se citar o período carolíngio como sendo a “idade de ouro” na
educação, não havia um sistema de ensino formado, mas os intelectuais
religiosos da época promoviam suas reuniões e discussões.[4]
A
literatura demonstrava a preocupação extrema em expressar a religião. A poesia
tida como profana pelos eclesiásticos tornou-se monopólio da Igreja, era
dividida em poesia épica e lírica, a primeira procurava mostrar as ações
corajosas dos cavaleiros, já a segunda referia-se ao amor cortês, aos
sentimentos.
Se
tratando de arquitetura temos uma vasta contribuição, os estilos que
predominaram e chamaram atenção foram o gótico e o românico. A exemplo da
exuberante arquitetura temos o Império Bizantino, que Hilário Franco Jr. e Rui
de Oliveira descrevem em seu livro (O Império Bizantino) como referência a
Igreja de Santa Sofia que representa a maior glória da arquitetura bizantina. O
estilo gótico nas construções tinham traços verticais e leveza, janelas com
vitrais coloridos para uma boa iluminação. Já o estilo românico, com traços
simples e austeros, era em sua maioria construído com tetos e arcos em abóbada
e grossos pilares.
A
maioria destes modos e estilos de construção era aplicada as catedrais, a
arquitetura religiosa pode ser considerada, sem dúvida, a mais expressiva das
manifestações artísticas do período. A arquitetura voltava-se essencialmente para
a construção de templos, igrejas, mosteiros e palácios; a pintura e a escultura
eram usadas para complementar a beleza das construções.
A mais significativa manifestação cultural da Idade Média
pode ser considerada o cristianismo, que segundo Hilário Franco Jr.
“Sendo
uma religião, religio, sua função era, segundo a etimologia que vinha da
Antiguidade de re-legere, “reunir”, ou re-ligare, nas duas hipótes tendo,
portanto, o sentido de reaproximar as instâncias divinas e humanas. ”[5]
A religião não somente tinha esse caráter de
aproximação entre divino e humano, como ainda era responsável pelo poder sobre
os livros considerados sagrados ao mesmo tempo que era a única capaz de
propagar a interpretação destes. Desta forma a religião controlava absolutamente
a cultura como afirma MENDONÇA (1985)
“Por
meio da disseminação de uma cultura profundamente bíblica, porém uniforme,
pretendia-se criar um verniz de conhecimentos gerais que penetrasse em todas as
áreas do império, principalmente as recém-incorporadas e as menos romanizadas.”
[6]
O papel do clero ganhava cada vez mais autoridade,
além de “zeladores da ordem cristã” – como se refere a autora citada
anteriormente - eram também responsáveis
pela difusão da cultura e do ensino. As cruzadas empreendidas por interesses
religiosos deixaram seu legado para a cultura medieval enquanto tentavam
expandir seus territórios e a supremacia da Igreja Católica. No livro “Cruzado na Idade Média” a autora Fátima
Regina Fernandes ressalta o contexto das cruzadas para a História, segundo ela
as Cruzadas compreendem “dois séculos de convivência e produção de uma base
cultural comum que deixaria suas marcas (...)” A autora ainda destaca a difusão
de novas culturas que interligadas geraram contribuições para a
contemporaneidade:
“A
própria convivência de culturas distintas nesses locais geraria elementos
comuns novos, com reflexos constatáveis até hoje na arquitetura, literatura e
em toda e qualquer manifestação científica,
cultural
e artística ocidental.”
O
movimento das Cruzadas deixou suas marcas, inclusive no que diz respeito ao
legado cultural, pois através do contato com outros povos foi se adquirindo
novos costumes. Podemos dizer que enquanto o Ocidente conquistava outros povos
também era conquistado por eles através da apreensão de outras culturas
diversas e alheias a suas tradições.
II- OS SEGMENTOS DA CULTURA
Podemos dividir a cultura medieval em dois segmentos:
a cultura erudita (transmitida pela
elite) e a cultura vulgar (relacionada a população). A primeira também
conhecida como cultura clerical seria conscientemente elaborada, produzida nos
mosteiros por motivos religiosos e para difundir os mais diversos assuntos
também religiosos. Era difundida formalmente nas escolas monásticas e
universidades. Segundo (FRANCO JR. ,1986, pág.139) temos os seguinte:
“A
melhor definição desta cultura é clerical, por esta palavra abarcar o sentido
de eclesiástica (grupo que monopolizou a cultura escrita até o século XII) e ao
mesmo tempo de letrada (novo significado até o desde fins do
século XIII, com o crescimento do segmento laico alfabetizado).”
Neste
trecho o autor se refere a cultura erudita de letramento dos religiosos
enquanto detentores da escrita até o séc. XII. Em âmbito oposto situa-se a cultura vulgar ou folclórica,
caracterizada pela espontaneidade, de cunho oral transmitida informalmente por meio de idiomas e dialetos vernáculos.[7] Os
leigos pressionavam a Igreja católica para que fossem reconhecidas
clericalmente algumas simbologias populares, como exemplo o culto aos mortos
para que este fosse incluído no calendário litúrgico próximo a festa de Todos
os Santos, sabemos que esta cultura foi perpetuada e temos este costume do dia
de finados até os dias atuais.[8] Outra manifestação leiga, era a maior
participação do público durante a missa em que o sacerdote virava as costas
para o povo, este costume foi modificado e durante a elevação da hóstia o
sacerdote posiciona-se de frente aos fiéis.
Dentro desses segmentos culturais há
características peculiares de acordo com o período medieval a que se refere.
Dividem-se estes momentos históricos em: Alta Idade Média, Idade Média Central
e Baixa Idade Média. Na Alta Idade Média ocorre o privilégio exclusivo da
Igreja sobre a cultura intelectual. Havia uma rejeição expressa a cultura
folclórica (ou vulgar) o que o autor denomina um “alargamento do fosso entre a
elite culta e a massa inculta” (FRANCO JR. H.). As manifestações da cultura
vulgar foram de todo modo contidas pela hierarquia religiosa, refere-se a essa
questão o Império Carolíngio e sua imposição de autonomia católica, é o que
percebemos no trecho (MENDONÇA, 1985, pág. 82):
“(...)
Sua essência repousou na imposição do ideal romano da disciplina e da organização
sobre o indivíduo germânico. Tal como acontecia as estruturas leigas, daí
resultou a construção de severa hierarquia religiosa, concebida como a garantia
da realização da missão real de zelar pela ordem, com um pessoal administrativo
competente e idôneo.”
Tomando
o Império Carolíngio como referência podemos entender, através da citação, a
influência da Igreja ditando o modelo de disciplina e organização que deve ser
seguido ao mesmo tempo em que contrariava os arcabouços leigos.
Tratando-se da Idade Média Central compreendem-se
profundas transformações políticas, econômicas e sociais a partir do século XI,
a cultura essencialmente clerical passou a admitir a forte presença da cultura
vulgar. Antes, na Alta Idade Média, “ocorrera a clericalização de muitos
elementos folclóricos, agora se dava a folclorização de elementos cristãos” (FRANCO
JR, 1986, pág.149). Neste período chama atenção o Renascimento Carolíngio, fato
marcante para a cultura medieval por conta da uniformização dos textos
bíblicos, feito pelo inglês Alcuíno (735- 804) a bíblia passou a ser o livro
mais usado no Ocidente e recebeu o nome – a partir do século III – de Vulgata.
Durante a Baixa Idade Média ocorre o desequilíbrio
estabelecido anteriormente entre as culturas vulgar e clerical passando a
ocorrer profundas transformações culturais. A cultura clerical não tinha o
mesmo vigor das épocas anteriores e a cultura popular encontrava-se mais
fragilizada. As mudanças[9]
que aconteceram nesta época estabeleceram o embrião da cultura renascentista
(séculos XV e XVI).
III-
CULTURA E HERANÇA MEDIEVAL
Através das fontes utilizadas[10]
percebe-se as contribuições da cultura medieval para a atualidade. Mesmo nas sociedades
que não apresentaram “período medieval” como é o caso da nossa, as influências
estão inseridas em nosso cotidiano sem que tenhamos consciência disso. De
início verificamos a nacionalidade brasileira como herança medieval, o nome
atribuído ao nosso país advindo dos séculos XIV-XV e o nosso próprio idioma,
adquirido dos colonizadores e nascido na Idade Média.
Na política também verificamos contribuições no que
diz respeito “a duplicidade de um poder central teoricamente forte e a
realidade dos poderes locais atuantes permanece (FRANCO JR. 1986, pág.168).”
Até mesmo o sistema de capitanias aqui implantado teve o mesmo funcionamento da
Idade Média nos séculos XVI-XVII.
A questão lingüística também tem suas raízes
medievais já que quase todas as línguas formaram-se na Idade Média. O conjunto
diversificado que resultou em nossa sociedade (índios, portugueses, negros)
influenciaram no falar brasileiro, a própria elite no Brasil colônia era
obrigada a falar e escrever de maneira diversa, utilizando tanto o modelo
português como os dialetos resultantes de negros e índios. Esta situação
lingüística tem forte semelhança com o contexto medieval em que os idiomas
vulgares foram inseridos as línguas vernáculas.
A nossa economia com base na exploração da terra é
parte deste legado, como afirma (FRANCO JR, 1998, pág.6):
“A
economia brasileira essencialmente agrária até meados do século XX, também
denuncia o passado medieval transplantado pelos portugueses e prolongado pelo
sistema colonial do Antigo Regime e depois pelo neocolonialismo da Revolução
Industrial.”
Existem,
neste contexto, traços medievais em nossa própria cultura regional, o que o
autor cita como “coronelismo nordestino” ao se referir ao poder conferido aos
coronéis e na distribuição de “favores”; cada donativo concedido era em troca
da fidelidade daquele que recebesse, assim como a relação estabelecida na época
medieval entre “senior” e “vassalus”. Esta relação de coronelismo e
vassalagem (correspondendo a Idade Média) ainda sobrevive em nossa sociedade,
existem muitos “apadrinhamentos” políticos e econômicos que se assemelham a
estes sistemas.
A religião brasileira sempre teve em sua maioria
adeptos do cristianismo, assim como na Idade Média a religião ditava as regras
cotidianas dos indivíduos no Brasil desde sua época colonial, considera-se
práticas de socialização: o batismo, o casamento, o sepultamento; estes ritos
ultrapassam a dimensão religiosa e entram na vida social das pessoas passando a
se estabelecer uma cultura religiosa.
Até no próprio gesto de estender a mão há um legado
medieval, como cita (FRANCO JR, 1986, pág. 224):
“(...) gesto tão mecânico, tão
automático, que poucos percebem estar repetindo o gesto de paz social da época
feudal, quando ele demonstrava ao interlocutor a ausência de armas e assim a
boa vontade no estabelecimento de uma relação sociável.”
Há também a contribuição intelectual que dispomos da
Idade Média, as Universidades que se originaram no século XII, bem como o
modelo de aulas expositivas e discussão de textos, a tese submetida a uma banca
examinadora, a estrutura de administração das faculdades, os programas de
bolsas de assistência. Vale destacar que foi dessa época que surgiu o livro
como conhecemos hoje, já que na Antiguidade eram usados pergaminhos muito mais
difíceis de manejar e de localizar conteúdos.
Dentro das contribuições materiais dos medievos para
a contemporaneidade pode-se exemplificar: o uso da calça comprida, ferradura,
colher, camisa com botão, óculos, ferro, carrinho de mão, luneta, relógio
mecânico, espelho de vidro, álcool, moinho de vento, atrelagem animal em fila
entre outros.
O próprio pensamento materialista de justificar a
busca por riquezas na religião está presente em nossa sociedade até os dias
atuais, tanto as Cruzadas durante a Idade Média como a conquista da América
tiveram caráter de guerra santa e de obtenção de riquezas.
IV-
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O pensamento medieval e as criações daquela
sociedade merecem cada vez mais estudos aprofundados no assunto. A produção
cultural e material é muito diversificada e ao mesmo tempo rica em
particularidades que foram sendo inseridas em todas as sociedades ao longo do
tempo. Dessa forma devemos como futuros docentes, difundir cada vez mais a
idéia de Idade Média como momento histórico de profundas transformações e
heranças culturais. Mostrar não somente o que ocorreu de desagradável, mas
fazer com que as pessoas arranquem este rótulo de Idade Média como período
obscuro.
FRANCO JR. (1998)
destaca:
“Em
suma, percebamos ou não, a Idade Média foi nossa infância e adolescência, fases
de fragilidade, inconstância e hesitações, mas também de crescimento,
aprendizagem, experiências, consolidação (...). Mesmo não tendo tido Idade
Média no sentido cronológico concebido pela historiografia, o Brasil é
indiretamente produto dela.”
O autor destaca o fato de nossa sociedade ter
“raízes medievais” parte constituinte de nosso passado e presente. Ninguém pode
fugir de suas origens, nem estudar um passado imediato, temos consciência de
que para conhecer um povo devemos buscar seus momentos iniciais, ou como o
autor denomina, sua gestação. O Brasil não passou por uma Idade Média, mas
herdou muitas de suas características e ao mesmo tempo descende dela.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FERNANDES,
Fátima Regina: Cruzadas na Idade Média. In.: MAGNOLI, Demétrio (ORG.) História
das Guerras. 4 ed. São Paulo: Contexto, 2009
FRANCO
JR. [Estruturas culturais da Idade Média – Resumo] Disponível em
<http://www.historiaemperspectiva.com/2011/10estruturas-culturais-da-idade-media.html>
Acessado em: 14 jun.2012.
FRANCO
JR. Hilário. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense,
1986.
FRANCO
JR; FILHO, Rui de Oliveira: O Império Bizantino. São Paulo: Brasiliense, 1985.
FRANCO
JR. Hilário. Páginas de História: Raízes medievais do Brasil. Departamento de
História USP, 1998.
MENDONÇA,
Sonia Regina de. O Mundo Carolíngio. São Paulo: Brasiliense, 1985.
[1]
Artigo originado da pesquisa realizada para a disciplina de História Medieval
do curso de História/Licenciatura Plena, ministrada pela Profa. M.s Iza Régis
da Faculdade de Educação Ciências e Letras do Sertão Central – FECLESC/UECE.
[2]
Confesso
que acrescento a isto a minha curiosidade sobre o assunto.
[3]“Todos
que para ela fluíam espantavam-se com sua grandiosidade e riqueza.” (FRANCO
Jr., 1985, p.49).
[4] “O
período carolíngio é também considerado como a idade do ouro das escolas e dos
educadores. Teve início uma rede escolar, tão hierarquizada quanto a própria
Igreja.” (MENDONÇA, Sonia Regina de. O Mundo Carolíngio, pág.84,)
[5]
FRANCO JR. Hilário. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo:
Brasiliense, 1986. Pág. 140.
[6]
MENDONÇA, Sonia Regina de. O Mundo Carolíngio. São Paulo: Brasiliense. Pág. 82.
[7] Nesse
campo de línguas vernáculas destaca-se o latim que era falado tanto de maneira
clássica nas situações formais, como popularmente. Por conta do desaparecimento
do Império e da degradação da cultura erudita, o latim modificou-se de tal
forma a ponto de deixar de ser falado, surgindo novos idiomas no século VIII
chamados de românicos. A partir daí o latim passou a ser falado somente entre
os eclesiásticos, desconsiderado como língua materna.
[8]
Destaca-se aqui uma cultura instituída na Idade Média que permanece ainda em
nosso calendário.
[9] A arquitetura rompia com o equilíbrio e
harmonia das formas, a escultura apresentava um forte ornamentalismo, a
escultura manteve-se próxima as esculturas populares, na literatura
despertava-se o artificialismo, na filosofia houve uma quebra com diversas
correntes. “Antecipava-se Lutero,
Maquiavel e Hobbes. Caminhava-se para a Modernidade.” (FRANCO JR. 1986,
Pág.167)
[10]
Principalmente por meio do livro de Hilário Franco Jr “A Idade Média:
nascimento o Ocidente